Alimentos controle diabetes

Diabetes: como ter uma vida normal e saudável

Em 34 anos os casos de diabetes no mundo praticamente quadruplicaram, passando de 108 milhões em 1980 para 422 milhões em 2014, ocasionando 3,7 milhões de mortes por ano. Os dados são da Organização Mundial de Saúde, que estima que esses números deverão aumentar nos próximos anos se não forem tomadas medidas para evitar a doença.

O relatório da entidade uniu os dois tipos de diabetes – tipo 1, que se manifesta na infância e na adolescência e apresenta como sintomas a sede excessiva, emagrecimento rápido, cansaço, erupções na pele e vontade de urinar várias vezes ao dia; e a do tipo 2, que corresponde a 90% dos casos e se manifesta em adultos com mais de 35 anos de idade e é considerada a mais complicada por não apresentar sintomas e por estar relacionada também ao excesso de peso e à má alimentação.

Considerada um mal silencioso, a diabetes do tipo 2 pode evoluir por um período de cinco a sete anos sem que a pessoa perceba que a tem. A única forma de detectá-la é através de um exame de sangue, ou quando já ocorreu alguma complicação decorrente da doença como hipertensão, acidente vascular cerebral (derrame), insuficiência renal, impotência sexual, angina e problemas sérios e irreversíveis de visão, levando em muitos casos à cegueira. Por isso é fundamental que sejam feitos exames médicos periódicos e preventivos. Os mais propensos a desenvolver a diabetes do tipo 2 são pessoas que possuem parentes diabéticos, as que estão muito acima do peso ou obesas, as que apresentam altos níveis de colesterol e de triglicérides, mulheres que deram a luz a bebês com mais de quatro quilos, idosos e hipertensos.

Mas uma vez diagnosticada, e apesar de ser uma doença crônica, ou seja, não tem cura,  a diabetes pode ser perfeitamente controlada desde que devida e constantemente monitorada. Em muitos casos, uma alimentação equilibrada e correta, aliada à prática de atividades físicas é o suficiente para que a pessoa leve uma vida normal e saudável.

Açúcar: o grande vilão

No passado, os diabéticos sofriam um bocado quando o assunto era alimentação. Doces, carboidratos e alguns tipos de frutas eram terminantemente proibidos e banidos do cardápio para sempre. Atualmente não é mais assim. O único vilão continua sendo o açúcar branco, que não pode ser consumido. Mas fora isso, a dieta é igual à recomendada para as pessoas que querem levar uma vida saudável. Os nutricionistas destacam que uma alimentação adequada deve ser composta por 55% de carboidratos, 15% de proteínas e 30% de gorduras. O único cuidado que os diabéticos devem ter é saber combinar bem os alimentos e não sobrecarregar os carboidratos numa única refeição.

Todos os legumes, verduras e saladas estão liberados, com exceção dos tubérculos como batata, mandioca, inhame e afins. As frutas também são permitidas uma vez que o açúcar existente nelas (frutose) é absorvido lentamente pelo organismo junto com as fibras. São liberados ainda alguns doces como gelatinas, picolés de frutas e compotas, mas com moderação. É importante ressaltar, no entanto, que esses alimentos podem ser consumidos por um grande número de diabéticos, mas não por todos. Para uma dieta adequada é preciso um diagnóstico e acompanhamento médico regular e a orientação de um nutricionista.

O ideal é que o diabético tenha a assistência de uma equipe multifuncional composta por médicos endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas porque o tratamento requer uma mudança de hábitos. Além da reeducação alimentar, devem ser feitos exercícios físicos regulares. As pessoas também devem procurar obter mais informações sobre a doença para mantê-la sob controle. O fundamental é desmistificar a diabetes e ter em mente que apesar de ser um mal crônico, se for bem monitorado, seus efeitos nocivos podem ser minimizados. Vale ainda lembrar que as restrições impostas pelos médicos irão contribuir para a melhoria da qualidade de vida.