médico examinando articulações idoso

Cuidados com a doença que surge com a maturidade

Hoje as pessoas estão vivendo mais e melhor. O tempo médio de vida, que no século passado era de 50 anos, foi estendido e, salvo alguns acidentes ou doenças graves, grande número de pessoas chega aos 90 e até 100 anos de idade. Essa conquista da longevidade, no entanto, trouxe alguns problemas. Se por um lado, ganhamos mais tempo de vida, por outro ficamos sujeitos a uma série de complicações provocadas por doenças degenerativas, algo que nossos antepassados não chegaram a conhecer.

A osteoporose é uma delas. Praticamente ignorada até o início do século passado, nos últimos anos a doença vem sendo o centro das preocupações da comunidade científica do mundo todo. Isso porque devido à sua abrangência, que impacta cada vez mais os gastos com saúde pública, ela também é alvo de atenção dos governos de diversos países ocidentais que estão investindo em pesquisas para aperfeiçoar o diagnóstico e aumentar as alternativas de prevenção, uma vez que o tratamento é longo e dispendioso.

O que é a doença

A osteoporose se caracteriza pela alteração da arquitetura óssea, levando à fragilidade. Como toda doença crônica, é progressiva. Em geral, a partir dos 30 anos homens e mulheres começam a perder massa óssea, que inicialmente é bem pequena e imperceptível – cerca de meio por cento por ano. Essa perda, no entanto, acentua-se a partir dos 40 anos nas mulheres e dos 70 anos nos homens, e se não for contida antes que atinja um estágio avançado, pode provocar consequências graves, como por exemplo, as fraturas.

A doença é comprovadamente a maior causa de fraturas entre pessoas idosas. Apesar de a diminuição de massa óssea atingir a todas as pessoas, ela evolui de forma mais aguda e rápida nos chamados grupos de risco, dentre os quais se incluem as mulheres. A osteoporose é mais comum no público feminino devido à diminuição da produção hormonal decorrente da menopausa. É o estrógeno que contribui para a fixação do cálcio nos ossos, preservando sua densidade. A partir do climatério, quando a produção desse hormônio cai drasticamente, a perda de massa óssea torna-se mais veloz, podendo atingir de 4% a 5% ao ano.

A situação é mais grave para as mulheres que apresentam menopausa precoce, provocada por cirurgias de retirada dos ovários. As que são muito magras também são susceptíveis a sofrer da doença mais cedo porque é no tecido gorduroso que o estrógeno é armazenado. Sem essa reserva de hormônio a descalcificação óssea ocorre de forma mais rápida.  Também as pessoas de pele muito clara e que moram em países que recebem pouca luz solar são mais propensas a ter a doença. Isso porque o organismo precisa do sol para produzir a vitamina D que é indispensável para a absorção do cálcio, tido como o principal alimento da estrutura óssea.

O sedentarismo é outro fator de risco. Pessoas que praticam esportes regularmente durante toda a vida conseguem fazer uma “poupança” de massa óssea e nesse sentido a perda levará muito mais tempo para ocorrer em comparação a quem leva uma vida sedentária e na terceira idade a práticas de atividades físicas são ainda mais relevantes. Dietas pobres em leite e derivados, assim como de peixes e vegetais também facilitam a ocorrência da doença. Estima-se que em 2050 mais de 1,2 bilhão de pessoas com mais de 65 anos sofrerão desse mal.

Prevenção e tratamento

Por ser uma doença crônica e metabólica, a osteoporose pode ser adiada e até mesmo tratada. Uma das principais medidas de prevenção é formar até os 30 anos um grande estoque de massa óssea, o que é possível por meio de uma alimentação rica em vitamina D e cálcio, além da prática de atividades físicas. Igualmente importante é evitar ou minimizar o consumo de bebidas alcoólicas, cigarros e café em excesso.

A doença é diagnosticada por meio dos exames de densitometria óssea, em que é possível avaliar principalmente duas regiões – a coluna lombar e o fêmur – e verificar até pequenas perdas, o que contribui para que se adotem medidas que retardem o avanço da osteoporose. Em geral as áreas do corpo mais atingidas e passíveis de fraturas são o colo do fêmur e da bacia, além de microfraturas que podem causar deformidades no esqueleto. Essas microfraturas são imperceptíveis e assintomáticas e geralmente acontecem na região anterior do corpo da vértebra. Entre as complicações, além da cifose (a pessoa fica encurvada), há a diminuição da expansão do tórax e do pulmão, causando dificuldades respiratórias e digestivas.

O tratamento da osteoporose é longo e progressivo. Dentre os medicamentos, os mais utilizados são os que contribuem para minimizar os riscos de fraturas, deformidades e perda da estatura. Os suplementos vitamínicos como o citrato de cálcio e vitamina D também são aliados importantes para o tratamento. Os pacientes são orientados ainda a reforçar o consumo de leite e derivados, peixes e verduras escuras, e a praticar exercícios físicos. Outra recomendação é fazer adequações em casa e no ambiente de trabalho, como a retirada de tapetes em pisos escorregadios que podem provocar quedas.